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Pneus recauchutados: será que vale a pena?

Por 18 de agosto de 2022Mobilidade
recauchutadora de pneus

Já ouviu falar em recauchutadora de pneus? Quem costuma rodar pelas estradas brasileiras com certeza já se deparou, desviou (e na pior das hipóteses acertou) pedaços de pneus espalhados pela pista. Infelizmente, este tipo de situação perigosa é corriqueira porque a recapagem, recauchutagem e remodelagem de pneus é permitida e muito comum no país, especialmente em caminhões.

A prática é muito antiga e foi regulamentada por meio da Portaria 554, de 29 de outubro de 2015,  que estabeleceu que o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) normatize e fiscalize as reformas e as recauchutadora de pneus.

A lei entrou em vigor em outubro de 2017 e estabeleceu parâmetros mínimos para que pneus recauchutados, recapados ou remodelados (popularmente conhecidos por “remold”) fossem liberados para uso nas vias públicas. Mas você sabe qual a diferença entre estes tipos de pneus?

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Recauchutado

Pneus recauchutados passam por uma raspagem total de sua banda de rodagem residual para que os sulcos sejam refeitos. Neste tipo de reforma, a recauchutadora de pneus adiciona nova camada de borracha colada sobre a estrutura, substituindo a banda de rodagem e os ombros (parte externa entre a banda de rodagem e a lateral).

Remold

O pneu remold passa por um processo de raspagem mais intenso que o recauchutado, indo de talão a talão (aro que fica em contato direto com a roda). Uma nova camada de borracha é aplicada na banda de rodagem (parte que fica em contato com o solo), laterais e ombros. Por fim, o pneu remold é vulcanizado novamente para que todas as partes entrem em conformidade,

Recapado

Outro processo de reforma de pneu é a recapagem. Ela consiste apenas na substituição da banda de rodagem, parte que entra em contato direto com o solo.

O que diz a Portaria 554?

De acordo com a Portaria 554, os pneus reformados devem contar com o  Selo de Identificação de Conformidade do Inmetro. Deve constar qual o tipo de serviço feito pela recauchutadora de pneus (recapagem, remodelagem ou recauchutagem), data de conserto e número de reformas já efetuadas na unidade. Para ser habilitado para reparo, o pneu não pode ter mais de sete anos de uso.

Além disso, há determinação para o número máximo de reutilizações que cada tipo de pneu pode sofrer:

  • Diagonal para automóveis e comerciais leves: três reformas
  • Radial para automóveis com índice de velocidade até 190 km/h: duas reformas
  • Radial para automóveis com índice de velocidade acima de 190 km/h: uma reforma
  • Diagonal para picapes, comerciais leves e rebocados (carretas, trailers e afins): quatro reformas
  • Diagonal e radial para caminhões, ônibus e rebocados (carretas, trailers e afins): seis reformas

Para ser aprovado pelo Inmetro para o uso em veículos de passeio, o pneu deve contar com um mínimo de 6 milímetros de sulco na banda de rodagem. Já para comerciais, a profundidade mínima é de 8 mm. O indicador de desgaste (T.W.I.) também deve estar presente e ter ao menos 1,6 mm de altura para ambas as categorias, com tolerância de até 0,6 mm para mais.

Vale a pena usar pneu recauchutado, remold ou recapado no meu carro?

A resposta é não. Apesar de haver um controle por parte do Inmetro, nunca um pneu reformado terá a mesma qualidade de um pneu novo. Além da carcaça já ter sido submetida a cargas, impactos, pressões e temperaturas anteriormente, os processos e os compostos usados nas reformas são inferiores.

Quer um exemplo melhor do que o do começo do texto? É muito comum os pneus reformados se despedaçarem quando submetidos a altas velocidades por muito tempo, que é o que acontece nas estradas.

Metade da durabilidade, mas não a metade do preço

A própria ABR (Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus), reconhece que um pneu recauchutado dura, no máximo, mais ou menos metade do tempo que um pneu novo nas mesmas condições.

Normalmente, é considerada uma média de 50 a 60 mil quilômetros de vida útil para um pneu novo. Para o recauchutado, portanto, a previsão de durabilidade é de 25 a 30 mil quilômetros.

Se um pneu reformado custasse metade do preço de um novo, talvez até valesse a pena arriscar, porém atualmente a proporção é muito maior e chega a 65% do preço. Ou seja, além de menos seguro, o pneu reformado não resulta em economia a longo prazo.

Quer economizar? Prefira pneus novos de segunda linha

Se o orçamento está curto, uma boa opção é apostar em pneus de marcas populares, como:

  • Formula (Pirelli);
  • Uniroyal (Michelin);
  • Direction e Kelly (Goodyear);
  • Barum, Euzkadi, General Tire e Viking (Continental);
  • Kingstar, Marshal e  Laufenn (Hankook);
  • Seiberling (Bridgestone).

Qual a mágica para vender mais barato?

Apesar de custarem menos, estas marcas de pneus possuem um controle de qualidade similar ao dos produtos principais de primeira linha, sem falar na garantia de fábrica. Os fabricantes conseguem vender produtos mais em conta. Isso porque, além de serem mais simples, elas não investem pesado em campanhas publicitárias, por exemplo.

Além disso, ao contrário de pneus de primeira linha, esses modelos de “segunda linha” são facilmente encontrados em redes de supermercados e atacadistas com margens de lucro menores. Já os pneus de primeira linha costumam ser vendidos somente em lojas especializadas e oficinas.

E os chineses?

A razão de as marcas de segunda  linha existirem são os pneus chineses, que conquistaram os mercados de países em desenvolvimento com seu preço baixo. Muito comuns no Brasil, são boas opções para quem quer gastar pouco e busca o mínimo de qualidade. A durabilidade é similar à dos pneus de segunda linha.

Recauchutadora de pneus de caminhões

Imagine um caminhão bitrem com mais de 30 pneus, cada um custando entre R$ 2 mil e R$ 3 mil quando novos? Neste caso, não há outra alternativa que não seja recauchutar, serviço que custa em média R$ 400 por unidade em uma recauchutadora de pneus.

A boa notícia é que os pneus de caminhão já são projetados e fabricados pensando na reforma. Entretanto, nem sempre respeita-se o limite de duas a três recapagens ou recauchutagens, assim como o limite de peso da carga, o que provoca a degradação muito rápida.

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Última atualização em 18/08/2022

 

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