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Por que um surto de gripe em pleno verão?

Por 25 de janeiro de 2022Vida e Saúde
surto de gripe

Temos acompanhado desde o fim de 2021 um surto de gripe no Brasil. Trata-se de um aumento de casos em pleno verão no País, motivo que deixa muitas pessoas intrigadas.

Mas, afinal, quais as razões para esse surto de gripe ocorrer na estação mais quente do ano? O que pode ser feito para conter a disseminação?

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Influenza H3N2

Para começar a entender os motivos que explicam o surto de gripe que estamos presenciando em grandes centros urbanos do País, é importante saber que o vírus que causa a doença é o Influenza.

É um vírus que circula durante o ano todo, em diversas regiões do mundo, mas, predominantemente, nos meses de outono e inverno. Portanto, ter esse aumento de casos de gripe em plenos meses de verão brasileiro é algo incomum mesmo, segundo os especialistas.

De acordo com as amostras analisadas por profissionais dos centros de pesquisas responsáveis pela vigilância do vírus Influenza – Instituto Oswaldo Cruz, Instituto Adolfo Lutz e Instituto Evandro Chagas – a linhagem do vírus Influenza A predominante neste atual surto de gripe, H3N2, é conhecida pela comunidade científica. Ou seja, não tem variação genética desconhecida.

Vale dizer que essa linhagem foi a cepa que predominou na recente temporada de gripe que ocorreu no hemisfério Norte.

Motivos para o surto

Segundo o infectologista Álvaro Furtado, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), o surto de gripe nesta época incomum pode estar ligado a diversos fatores como:

  • Baixa cobertura vacinal contra a gripe, já que a maior campanha de vacinação tem como foco a imunização contra a Covid-19;
  • Flexibilização das medidas que estavam sendo adotadas em favor da prevenção da Covid-19;
  • Diminuição do protocolo que visa à proteção contra o vírus – o que inclui a higienização das mãos com frequência, uso de máscaras e isolamento social.

Outra hipótese considerada pelos especialistas para o efetivo aumento dos casos de gripe no Brasil é que a linhagem em questão não está incluída na composição das vacinas que estão sendo ministradas.

A boa notícia é que o Instituto Butantan, que produz as vacinas da gripe que são aplicadas no Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS), já se manifestou. Ele afirmou que a partir de janeiro deste ano começaria a fabricar os imunizantes atualizados.

De acordo com os virologistas, a composição final da vacina que será produzida tem como principal objetivo induzir o sistema imunológico das pessoas para que produza anticorpos e defesas. Elas serão capazes de neutralizar a maior quantidade possível de vírus Influenza.

Campanha de vacinação antecipada

Os especialistas afirmam que a situação atual no Brasil preocupa. Por isso, é preciso tomar cuidados efetivos para que a crise não se alastre no decorrer dos próximos meses.

Um dos recursos mais defendidos por pesquisadores é a antecipação das campanhas de vacinação pelo país.

A circulação do vírus da gripe está ocorrendo fora de época, em pleno verão e não se sabe se continuará assim por mais tempo. Portanto, os profissionais da área da saúde apoiam o adiantamento da campanha.

Tipos de vírus – gripe

São quatro os tipos de vírus Influenza: A, B, C e D.

O A e B são os que geram epidemias sazonais em diversas regiões do mundo e têm circulação predominante no inverno. Já o tipo C é determinado como o que causa as infecções mais brandas, enquanto o vírus influenza D não é conhecido por infectar ou causar a doença em humanos.

Tipo A – linhagem predominante no surto de gripe

O vírus tipo A é classificado em subtipos: A(H1N1) e A(H3N2).

A diferença nos nomes das cepas se dá de acordo com as proteínas essenciais para a capacidade de infecção do vírus Influenza: hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N).

Mas a ciência já descreveu cerca de 18 subtipos de hemaglutininas e 11 de neuraminidases. O vírus que tem circulado com predominância no Brasil desde o fim do ano passado, A (H3N2), por exemplo, contém hemaglutinina subtipo 3 e neuraminidase subtipo 2.

Mesmo tendo diferenças genéticas, os especialistas dizem que todos os tipos de Influenza podem provocar os mesmos sintomas:

  • Tosse;
  • Febre alta;
  • Inflamação na garganta;
  • Calafrios;
  • Cansaço;
  • Dor de cabeça, nas articulações e em todo o corpo.

Prevenção

Segundo os infectologistas, as medidas de prevenção contra a gripe são as mesmas adotadas no combate à Covid-19. Ou seja:

  • Uso de máscara;
  • Lavar as mãos com frequência;
  • Evitar locais com aglomeração;
  • Manter os espaços ventilados;
  • Evitar contato com pessoas que estejam gripadas – sem esquecer que tomar as vacinas disponíveis, principalmente em época de surtos, é essencial.

É importante dizer que a imunização contra a gripe é indicada para toda a população com mais de seis meses de vida.

Cuidar do outro

Além das já conhecidas medidas preventivas que devem ser colocadas em prática por todos, os profissionais da área da saúde enfatizam a necessidade de as pessoas que têm algum tipo de sintoma ficar em casa.

O isolamento em situações que a pessoa tem febre, tosse, dor no corpo, entre outros sintomas, deve ser levado a sério. É importante não trabalhar ou estudar presencialmente, inclusive.

Só assim, pensando e cuidando do outro, será possível reduzir o risco de transmissão do vírus para outras pessoas. Isso porque os vírus respiratórios têm grande facilidade de ir de um local para outro com muita rapidez.

Tem mais: mesmo que a gripe seja menos agressiva do que a Covid-19, está também relacionada com altos índices de hospitalizações e mortes. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 650 mil pessoas podem morrer todos os anos no planeta em decorrência de complicações respiratórias relacionadas ao vírus Influenza.

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Última atualização em 25/01/2022

 

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