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Como está o mercado de usados em 2021?

Por 10 de agosto de 2021Mobilidade
mercado de usados

Há muito tempo o mercado de usados não vivia um momento tão bom quanto o atual. De acordo com o levantamento da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), entre janeiro e julho de 2021 foram vendidas 6.512.509 unidades de automóveis e comerciais leves usados no país. Isso representa uma alta de 55,7% em relação ao mesmo período de 2020. Já a comercialização de veículos novos cresceu menos da metade nos sete primeiros meses de 2021: 26,2%.

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Elevação foi prevista no início da pandemia

Essa tendência de alta foi prevista em fevereiro de 2020 pelo Instituto Ipsos. Uma pesquisa foi realizada no auge da ainda epidemia de coronavírus na China. Nela, foi apurado que 66% dos entrevistados tinham a intenção de utilizar um carro particular ao invés do transporte coletivo quando tudo voltasse ao normal. Além disso, 72% pretendiam comprar um carro em breve e, destes, 77% fariam a aquisição por medo de se contaminar novamente ao dividirem espaços com outras pessoas.

No Brasil, carro caro e em falta

Por aqui, além do medo de se contaminar ao utilizar o transporte público, existem outros fatores também. O primeiro deles é a disparada do preço dos carros novos. Isso ocorreu devido a desvalorização do real e pelo cenário global pessimista, que fez o custo das matérias primas e outros insumos subir acima do normal. Lançada em setembro de 2019, a atual geração do Toyota Corolla acumula alta de 25% no preço desde então.

Além da elevação do preço, as montadoras estão sofrendo com a falta de componentes para produzir, especialmente semicondutores. O Chevrolet Onix, até então líder do mercado brasileiro, está com a produção interrompida desde 05 de abril de 2021. Com isso, despencou da primeira para a quinta posição entre os automóveis mais vendidos no ano. Além da General Motors, Volkswagen, Renault/Nissan, Stellantis (Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën), Honda, Hyundai e Toyota estão realizando paralisações na produção.

A solução é partir para o mercado de usados

Com o carro novo muito caro e faltando, o consumidor começou a procurar os seminovos com até dois anos de uso. Entretanto, este tipo de carro usado na maioria das vezes entra no mercado na troca por um modelo zero quilômetro. Como o carro novo não está vendendo, também começa a faltar o seminovo. Assim, os lojistas estão com bastante dificuldade em reabastecer os estoques.

E não para por aí. As locadoras de veículos sempre foram tradicionais fontes de abastecimento do mercado de usados e seminovos. Elas renovam suas frotas constantemente. Assim, acabam vendendo os modelos antigos, em média com 1,5 ano de uso e 30 mil quilômetros rodados, em lojas próprias ou repassando para lojistas parceiros.

Entretanto, a pandemia de Covid-19 fez um estrago no setor de aluguel. O ramo de eventos foi paralisado, viagens de negócios e lazer canceladas, implantação de home office e redução drástica na locação por motoristas de aplicativos. Com isso, a locadoras começaram a reduzir suas frotas e hoje já desovam muito menos carros no mercado de usados.

Muita demanda e pouca oferta: preços em disparada

Daí as leis da economia são implacáveis. Com muita demanda e pouca oferta, o preço dispara. Modelos com muita procura, como os SUVs, são facilmente vendidos com preços até R$ 10 mil mais altos do que os sugeridos pela Tabela FIPE.

Mais velho, mais caro?

De acordo com a FIPE, o preço de um Honda HR-V EX-L 2018, um dos queridinhos do mercado de usados, subiu de R$ 90.625 em agosto de 2019 para R$ 99.431 em agosto de 2021. Uma alta de quase 10%. O normal é o preço cair com o passar dos anos, não o contrário. 

Até modelos mais antigos tiveram elevação considerável de preço. O Chevrolet Onix LTZ 2013, por exemplo, teve alta de 15,7% no mesmo período, passando de R$ 34.900 para R$ 40.231.

De volta a 1987?

Em modelos pouquíssimos rodados, acontece um fenômeno que não era visto desde meados da década de 1980, quando a inflação era de 400% ao ano: o carro usado valer mais que o novo. 

É o que acontece com o Volkswagen Nivus Comfortline 2021 usado. Ele tem preço médio de R$ 107.438 entre as unidades anunciadas no Brasil pelo Webmotors. No entanto, a Volkswagen anuncia em seu site o mesmo carro, já modelo 2022 e zero quilômetro, por R$ 101.090.

Neste caso, a explicação é que o carro novo praticamente não existe no mercado devido às paralisações das linhas de montagem. Se a Volkswagen não consegue produzir, as concessionárias não têm o carro para vender e o preço do seminovo sobe.

E o futuro do mercado de usados?

Até quando o mercado vai ficar assim? Tudo vai depender da resposta da economia global ao longo de 2022. Se houver uma melhora na renda do brasileiro e as montadoras conseguirem normalizar a produção e reduzir a elevação quase mensal de preços, é possível que os olhos dos consumidores se voltem para os carros novos novamente. Entretanto, se a reação for lenta, teremos os modelos de segunda mão como a bola da vez ainda por um bom tempo.

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Última atualização em 10/08/2021

 

 

 

 

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